Estava lendo o jornal hoje cedo e vi uma matéria sobre um tema polêmico. Confesso que eu mesmo não tenho uma opinião formada sobre o assunto, mas acredito que seja uma discussão válida. Até que ponto é correto manter uma pessoa viva em estado vegetativo? É digno deixar que um ser humano continue a viver em sofrimento? São questões que não sei responder, mas o debate continua.
Há dois anos, a professora argentina Selva Herbón deu a luz a Camila, sua segunda filha. Problemas durante o parto fizeram com que a criança ficasse sem oxigenação no cérebro, provocando danos irreversíveis. Desde então, a menina é mantida viva artificialmente em um hospital e não tem nenhuma expectativa de sobreviver sem a ajuda dos aparelhos.
Selva tenta conseguir uma permissão para que sua filha pare de receber auxílios artificiais. A mãe acredita que sua filha mereça uma “morte digna”. Os médicos não querem realizar o procedimento por medo de serem acusados de homicídio. Desta forma, o apelo da família é que o congresso argentino debata o tema.
Eu acho este tema extremamente complicado. De um lado estão as causas religiosas e a seguinte questão: Até onde vai o direito do ser humano sobre a vida de alguém incapacitado? Do outro lado estão as causas humanistas e a defesa de que se pare com o sofrimento em casos irreversíveis.
Não conheço a resposta para estas questões e tampouco tenho um lado a defender. A única coisa que passa pela minha cabeça em casos como este é a sábia frase de Clarice Lispector: O que importa afinal, viver ou saber que se está vivendo?
André Salles
