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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Mancharam o mundo de novo

Ontem fiquei muito triste com o episódio de racismo da Volta do Rio de Janeiro de ciclismo. É decepcionante ver um esportista praticar atos deste tipo. Logo o esporte, que tem o dever de unir os povos. Cadê o espírito olímpico?
Foi feio ver um italiano tratar um brasileiro como inferior, ainda mais em nosso País. Bonito mesmo foi ver a direção da prova desclassifica-lo e ainda dizer pra ele que aqui isso não é normal, é crime. O atleta europeu merecia uma punição exemplar. Me espanta o sentimento de superioridade de algumas pessoas. Parece que não percebem que a cor da pele, a marca da roupa ou a fé que praticam não fazem delas pessoas melhores.
O ser humano tem o péssimo hábito de pensar que professa a melhor religião, que usa a melhor roupa, que nasceu no melhor país, que pertence ao melhor grupo e que está no melhor caminho. As diferenças dos outros são tidas como imperfeições. O animal racional, definido por Aristóteles, não consegue ver um palmo além de suas crenças e exclui qualquer possibilidade de melhorar. Obviamente, o perfeito não tem pra onde evoluir.
O preconceito racial é a mais deprimente demonstração de falta de racionalidade. E por um simples motivo: pertencemos todos à mesma raça. Não existe a raça dos negros, a dos índios, a dos judeus... Existe a raça humana, pura e simples. Classificaria alguns seres humanos como racionais, pois, os que não percebem isso não tem qualquer chama de racionalidade.
Não só o esporte foi manchado, mas o mundo inteiro acordou mais triste.

André Salles